Eu não tenho mais paciência para ver televisão. Eu não tenho mais paciência para me sentar em um sofá e simplesmente curtir uma tarde vadia sem produção cultural. Cultural de verdade, não programas pseudocults passando na mais bela tv de LED. Não tenho mais paciência pra ficar gastando meus neurônios com um trabalho mediano e uma vida completamente terça-feira. Não quero essa vida medíocre do mínimo possível. Seja esforço, trabalho, emoções, estudos ou qualquer coisa. Essa vidinha de classe média domesticada não me cabe, não me entra. Quero sempre músicas novas, textos novos, filmes novos, e mesmo os antigos, que não sejam pura forçação de barra. Na verdade, eu só quero por meu headphone e sair por aí dançando a música da minha rádio mental. Afinal, não existem mais rádios. São apenas estabelecimentos comerciais com idiotas falando e tocando músicas de lavagem cerebral. Todas as rádios tocam as mesmas músicas. E se você se propõe a gastar 0,31 mais impostos e liga pra uma delas, pedindo uma música de verdade, você não é atendido. Tô cansada se ser tratada pela mídia com um cachorro vira-lata sendo domesticado. Tô cansada de viver em um mundo onde o bem-estar de um detento é mais valioso do que o de um pai de família fudido. Cansei da televisão me dizendo que fazer, das rádios dizendo o que tenho que ouvir, da porra do cinema comercial dizendo o que tenho que ver, porque aquele queridinho de Hollywood ganhou o Oscar. Grande bosta! Tem um coletivo de teatro na minha cidade que faz muito melhor que ele, sobrevive muito melhor que ele e faz essa porra por amor, não por dinheiro. Cansei desse mundo. Cansei dessa vidinha. Só posso dizer uma coisa agora: fui mundo medíocre. Me encontre entre livros bons, filmes que valem a pena e músicas que realmente palpitam meu coração.
4 mar
Onde está todo orgulho que você jogava na minha cara?
Orgulho o qual você usava para que minhas lágrimas caíssem,
Desenfreadamente.
Desesperadamente.
Incessantemente.
Intermitantemente.
E por fim, quando as lágrimas cessaram,
As suas,
Finalmente,
Se revelaram.
01/01/11
14 janAcho justo que nem todo poema seja recitado, nem todo canto, cantado. Acho justo que nem todo réu seja culpado, que nem toda criança seja inocente. Crianças não são inocentes, nunca foram e nunca serão. Acho justo que nem toda dor seja de amor, que nem todo amor seja profundo e que nem todo sexo tenha amor, mas todo amor deve ter sexo. Além disso, o amor é uma variável. Pode-se amar uma, duas, e até mil pessoas, depende da conveniência que isso traz à você. Por isso, acho justo que um grande amor acabe, deixando cicatrizes entreabertas que sempre se fecharão ao amanhecer reabrindo-se ao anoitecer.
Acho digno que nem toda palavra seja dita, que alguns segredos sejam revelados, e outros por sua vez, abandonados. Os que devem ficar guardados são aqueles que trazem em si o segredo da felicidade. Seja egoísta. Busque a sua felicidade. A bunda fétida alheia não irá atrás por você. Acho justo que nem toda mãe seja mãe, ter filhos e cuidar deles é vocação, como ser médico, engenheiro ou escritor. E ainda tenho dúvidas se é não necessário ter o mesmo calibre de formação. Como já dito, crianças são culpadas, cuidado com elas. Sempre. Acho justo que até Jesus não tenha perdão, pois de boas intenções o inferno está cheio. E que isso não soe anticristão, pois só o que me faltava era fanáticos pseudo-religiosos me chamando de anticristo. Aleister Crowley já basta um, ele não precisa de concorrentes.
Acho justo que nem toda água seja limpa, que nem toda nuvem seja de chuva, e que nem todo o mal venha para o bem. O mal pode ser simplesmente mal. Sem razão, motivo ou intenção, mostrando que todos nós vamos nos foder um dia. Acho justo que nem todo céu seja azul, acinzentado e fechado cai melhor com a nossa atmosfera débil. Acho justo quem não recicla, quem não economiza, quem não tem compaixão, quem não ama. Não acho certo, mas ainda justo. Porque o que é tudo isso quando o que mais me importa é ter o meu Nike, meu iPad e um pai idiota que banque meus caprichos enquanto me drogo com meu amigos trogloditas? De falsos ecologistas dizendo lorotas por aí o mundo já está cheio. Acho justo que nem toda mulher seja mulher, que nem todo homem seja homem. Ou vice-versa. Afinal, nessa sociedade, o importante é ser flexível.
.não sei o porquê.
14 outNão entendo porque quero apenas publicar textos que revelem a profundeza do meu ser. Ora, do que me servem eles senão de troféus de massinha prontos pra serem modelados todos os dias? É um trabalho árduo e constante. É fato. Todo texto surge pra ser reescrito. Editado. Mudado. Transmutado.
É a essência dele. E pensar que o ser humano é assim. E se engessa pra que isso não aconteça. Porra, para pra pensar… Quando VOCÊ se estanca pra não mudar, nada muda. Nada.
Nem o texto. E assim, o texto e a vida caminham juntos. Ou melhor, ficam estagnados juntos.
Quero mais. Quero tudo. Quero nada. Quero, apenas quero. Mas não sei o quê.
E meu texto também.
Seja o que Deus quiser. Ou não.
.Participação especial.
26 ago“E tomaria outra dimensão
as coisas que eu faço
na hora que eu quero
o que acontece é errado.
No fim do mundo
eu quero sofrer até
morrendo por dentro
esperando pra saber.
Sentimentos falsos
a verdade foge
e me desespera
tenho medo, sim.”
Marcela Siqueira, 11/08/2010
Tags:especial, existencial, poesia
29 jun
O cansaço do ócio contamina o espírito, o nada de palavra se torna estado. A inércia controla os movimentos cadenciados pela inexistência do ser motivado naturalmente voraz. E a lamúria infundada se torna intrinseca, totalmente vulnerável a ação da cólera. O ódio sobe pelo membros, corrói as veias, artérias e músculos. Cada parte do corpo se torna vulnerável a ação lasciva e transgressora da raiva. E finalmente, num piscar de olhos, uma luz se acende, translúcida, agônica e fatal.
Cem dias de solidão…
29 jun…é o que o blog sentiu esse tempo todo do qual eu fiz questão de não lembrar dele. Tadinho… esse meu pequeno filho foi abandonado por uma causa nobre também. Precisava estudar para trazer para ele mais observações e pensamentos sagazes… Só um minuto. Preciso buscar o dinheiro para comprar suas fontes bibliográficas.
20 mai
Que minha alma errante
Não pertube os encantados pela aura da
certeza.
Que eu, em minha caminhada torta
E vagarosa…
Não cruze o caminho dos
Corredores
Destemidos
Ágeis.
Que minha voz, agargantada voz!
Não oprima a alegria vã do palhaço incoerente.
Por fim, me contento.
Em ser como sou,
Acuado e incerto
Mas completamente cheio.
De mim.
Tags:conformismo, poesia, realidade
A história da minha vida.
18 maiFecundei, nasci, vivi, bebi, comi e morri.
Depois, relutei em assumir como sou medíocre.
(que sou medíocre como qualquer ser vivo.)
Tags:introspecção, poesia